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Ando procurando um grande amor. Não é bem uma procura, e sim, uma espera. Ando esperando um grande amor. Uma espera que me angustia cada dia mais, por não saber ao certo se esse grande amor vai um dia aparecer. Talvez não apareça. Como de costume, acendo um cigarro e abro um livro, toco uma música, e espero, espero por falta do que fazer, falta de quem amar, falta. Sempre falta. E porque falta tanto?
Ando procurando um grande amor. Que faça dos meus dias nublados, ensolarados. Que me faça sentir o prazer de viver, o prazer de amar, o prazer. Que prazer? Uma boa companhia, um poeta, um amigo e amante. Uma presença pra minha solidão. Uma ausência pra minha dor. Dor que não passa, que não me deixa. Que insiste em fazer o café amargo, o cigarro fraco, a vida em vão, o ficar em vão. Então tudo começa a ir embora e eu começo a ficar sozinha, corpo são e mente morta.
Ando procurando um grande amor.
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Eu estava na parada de ônibus, não há muito tempo, o ônibus demorou o suficiente para me fazer repensar em entrar e começar o trajeto, sem ter para onde ir. Eu sabia onde queria ir, mas infelizmente, e meu ônibus não passava por lá, acabei ficando sozinha. Desci em algum lugar familiar para mim, então entrei na primeira porta que vi pela frente. Porta aquela, que me fez ver você saindo dela, fazendo juras de amor, pedindo para que eu não contasse à ninguém, porque ninguém precisava saber desse reencontro, completamente inesperado. Então sorríamos um para o outro sem pensar no passado, sem pensar que foi por aquela porta que descobri o Grande Amor, que reencontrei, completamente inesperado. Seria a última vez? Seria a primeira? Na verdade não, foi só um sonho. Nunca houve porta, ônibus, destino. Nunca houve um Grande Amor. Então me vi hospitalizada, levando soro, injeções, sedativos. Nunca houve um reencontro. Só houveram alucinações, eu, você, a porta, os sorrisos, as juras. Nunca houve nada disso. E chorei, chorei inacabadamente: – Ó, meu Deus. Cá estou eu, trancafiada em um quarto de hospital, sem janelas, sem sorrisos, sem porta, só com agulhas e seringas por todo o corpo, doente de amar. Essa sou eu: hospitalizada, vítima do próprio amor.
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Amor, eu estava aqui lembrando de nós dois na varanda, com alguns cigarros, alguns livros e Chico tocando suavemente no stéreo. Tu estavas cansado, assim como me dizias. Só com a tua roupa de baixo foste me abraçar e tragar algumas vezes, e assim ficamos, abraçados, até o cair da tarde.
Ao cair da tarde, estávamos ainda cansados, ofegantes. Talvez fosse o cigarro, ou o sexo de sábado à noite, ainda não todo recuperado, até de manhãzinha. Estávamos cansados mas tu não querias dormir. Tu querias ficar abraçado á mim e aos cigarros, sentindo o vento frio de chuva chegando, e com Chico ainda tocando, tomar todo aquele café que não pudemos terminar. Assim fizemos. Mas, o café acabou, Chico parou de cantar e o cigarro apagou. É hora de nos recolhermos. Tem muito trabalho para amanhã. O dia vai ser longo, amor, tens que descansar para dar tudo como planejado. Eu vou te dar um beijo. Só vou esvaziar o cinzeiro, desligar o som da sala e guardar os livros, os Caios, as quedas. Quedas passadas, não lembro mais, não lembramos, nem queremos. Estamos tão bem assim, não é?
Boa noite, você diz até hoje para mim, sussurrando enquanto finjo dormir, só para ouvir você sussurrar no meu ouvido, toda noite. Durma bem, estou aqui ao seu lado, meu lugar. Até amanhã. Nosso amor vai continuar o mesmo amanhã de manhã, e depois e depois e depois.
Assinado, eu.
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Minha menina, o que você ganha chorando assim? O que você ganha se doendo assim? O que você ganha se perdendo de mim todo o tempo? Não vai embora agora, ainda falta (nos) amar.
Com a boca azeda, nos despedimos, apenas esperando o próximo encontro a dois. É, a dois. Ainda dói, dor. Minha dor, não mais sua. Não quero te ver assim, tão frágil, tão só, tão preocupada, tão… Não, não quero. O amor dói, bá. O amor é para os fortes Não. É para os desumanos, que não sofrem. Você é humana, menina! Humana até demais. Talvez, a humana mais doce que conheço. Escorpiana misteriosa, o que posso esperar de você? Eu não quero ir embora agora, me conserve por mais um tempo aqui, do seu lado, calada. Porque viver sem amar é foda, mas viver sem meu amor… Imagine, amor.
Para:Gio.
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So-li-d-ã-o.
Solidão: ácida e confortante, e os velhos tempos? Não voltam mais, começo a me sentir sozinho. E me conforto, e me “aquieto”, sereno, calmo, como se tivesse todo o tempo do mundo. E, de fato, tenho, depois de tanto doer, talvez eu comece a viver, recuperar o tempo perdido. Depois de tudo, mereço ganhar mais algum tempo, nada a ver, essa vida que já é curta, não posso me perder de novo. Não devo. Voltar a ser o que era antes, doce, fino, não doeria. Vida, tempo, frieza, tomaram conta da minh’alma por completo, depois de tudo, tudo aquilo que eu já não agüentava. E que me fez ver o invisível, nada é pra sempre, com o tempo a gente descobre. Talvez seja a descoberta que mais dói, como tudo o que aconteceu comigo. E depois de tudo, definitivamente, não voltarei a ser o mesmo.
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A alma está suja, como o chão da sala que por um lapso não foi limpado, como a janela que o dedo há de desenhar, como um sapato furado que enche de terra e pedra, impedindo o (re)começo. Começar. Tampouco terminar o terminável. Começar já era, não precisa. As pessoas tem que aprender a terminar antes de começar. Começar o interminável, estou farta. Sujeira ainda habitando os móveis, sujeira interminável. Morta. Começo a limpar. Termino. Sujo. Começo. Termino. Sujo. E começo o interminável de novo. Não pareço estar aqui, e não quero. Não quero mais essa certeza de amor perdido, fodido. Olhando para fora da janela inexistente, eu vejo alguns futuros, penso nas pessoas cheias andando pelas ruas, a vazia sou eu. Cheias delas mesmas, levantando todos os dias da cama para continuar. Continuar o quê? Não há o que continuar. O amor acabou de vez, e eu já não me importo mais. Nunca me importei é só um detalhe que eu posso esquecer. Ninguém precisa deles. Estou vazia, juro. Mas eu já não me importo mais.
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Hope is a dream that doesn’t sleep.
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Ah, eu tenho acordado tão cansada, tão desmotivada, sem amor. Tenho ficado horas e horas debaixo da coberta, apenas esperando você bater na minha porta, me dizer loucuras e depois ir embora. Por mais que eu espere, você não aparecerá, e eu suo frio debaixo da coberta por sentir falta do teu calor, do teu toque. Eu não tenho me tocado, não tenho deixado nenhum outro homem me tocar, eu sinto tua falta. Nas noites frias, debaixo da coberta, tenho clamado por ti entre soluços e lágrimas molhando o lençol branco, que Maria se esqueceu de trocar. Nos dias ensolarados, tenho no máximo trocado o travesseiro de lugar, cima, baixo, baixo, cima. Colchão molhado, suado, debaixo da coberta, tentando esquecer toda a embriaguês das noites anteriores da morte. Dessa morte. Nos dias nublados, tenho me acostumado a deixar as janelas entreabertas, para a brisa triste e nostálgica entrar e não fazer mais falta. Ah, eu sinto tanto a tua falta. Fez-me mulher. Fiz-me mulher. E faço-me, todos os dias, debaixo da coberta.


